Meta fecha acordos com editoras de notícias para alimentar a sua IA
A Meta assina acordos plurianuais com grandes editoras de notícias para usar o seu conteúdo, impulsionando a Meta AI e o acesso a informação fidedigna. Uma v.
A Meta, gigante tecnológica por trás do Facebook e Instagram, prepara-se para uma viragem estratégica na sua relação com o sector noticioso. Ao que parece, a empresa está a fechar vários acordos comerciais com editoras de notícias para que o seu conteúdo seja usado para alimentar os serviços do chatbot Meta AI, conforme avançado pela Axios.
Estes acordos plurianuais permitirão que os chatbots da Meta respondam de forma mais eficaz às questões dos utilizadores sobre notícias e eventos atuais, usando dados em tempo real. Esta medida é de facto notável, especialmente tendo em conta a postura anterior da empresa relativamente ao pagamento por conteúdo noticioso.
Acordos Estratégicos e Compensação
Os contratos estabelecidos com as editoras preveem uma compensação financeira pelo uso do seu conteúdo, embora os detalhes monetários específicos não tenham sido divulgados. Para além da remuneração, há uma cláusula importante: os chatbots da Meta AI irão fazer a ligação direta para os artigos originais ao responder a questões noticiosas. Esta funcionalidade, aliás, poderá representar um impulso significativo no tráfego para os sites das editoras parceiras, um benefício muitas vezes almejado por estas empresas.
Entre os parceiros noticiosos confirmados encontram-se nomes de peso como USA Today, People, e a CNN. É relevante notar que também foram incluídas publicações com diferentes orientações, como o Le Monde – um gigante do jornalismo europeu – e outras de cariz mais conservador como a Fox News e The Daily Caller. Esta diversidade garante uma amplitude de perspetivas e fontes para a IA, reforçando a importância dos links diretos para os artigos originais para que os utilizadores possam verificar a informação e aprofundar os temas.
Uma Viragem na Abordagem da Meta
Este movimento da Meta é particularmente interessante porque a empresa sempre demonstrou relutância em pagar por conteúdos noticiosos. Na verdade, em 2022, a Meta cessou os pagamentos a editoras nos EUA pelo acesso a notícias, e o separador de notícias do Facebook (Facebook News) foi descontinuado por completo no ano passado. Esta nova estratégia marca uma mudança clara de paradigma, reconhecendo o valor do conteúdo jornalístico de qualidade para enriquecer as capacidades da sua inteligência artificial.
Segundo a Meta, estes acordos são apenas um primeiro passo, e a empresa pretende adicionar mais parceiros noticiosos no futuro para cobrir uma gama ainda mais vasta de tópicos. Esta é uma aposta clara no valor da informação fidedigna e atualizada para a experiência do utilizador com as suas ferramentas de IA, algo crucial na era da desinformação.
O Futuro da Notícia na Era da IA
Os acordos em causa poderão ter implicações importantes para o futuro da distribuição de notícias e para a interação dos utilizadores com a inteligência artificial. Ao integrar conteúdo jornalístico validado diretamente nas suas respostas, a Meta AI tem o potencial de se tornar uma fonte mais robusta e credível de informação. Resta saber como este modelo evoluirá e se se tornará um padrão para outras gigantes tecnológicas na busca por dados de qualidade para as suas crescentes capacidades de IA, impactando profundamente o panorama mediático em Portugal e na Europa.