Ciberataque de ransomware afeta mais de 70 bancos nos EUA
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Ciberataque de ransomware afeta mais de 70 bancos nos EUA

Um ataque de ransomware à Marquis, fornecedora de tecnologia, comprometeu dados de mais de 70 instituições financeiras nos EUA, com a empresa a ceder ao resg.

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O cenário da cibersegurança voltou a ser abalado por uma notícia preocupante, com a revelação de um ataque de ransomware que afetou a Marquis, uma fornecedora de tecnologia crucial para o setor bancário nos Estados Unidos. Este incidente, de facto, teve repercussões significativas, comprometendo mais de 70 bancos e cooperativas de crédito norte-americanas. O mais inquietante é que, segundo as informações que circulam, a Marquis terá cedido às exigências dos atacantes, efetuando o pagamento do resgate para recuperar os seus sistemas.

O Ataque à Marquis e a Sua Extensão

A Marquis, uma empresa especializada em soluções de tecnologia para o setor financeiro, viu-se confrontada com uma intrusão de ransomware que paralisou as suas operações. Os ataques de ransomware, como sabemos, envolvem a encriptação de dados e sistemas, exigindo um pagamento, geralmente em criptomoedas, para a sua devolução ou desbloqueio. No caso da Marquis, esta paragem operacional teve um efeito dominó, impactando diretamente dezenas de instituições financeiras que dependem dos seus serviços para a gestão de dados e outras operações essenciais. Embora as informações iniciais sugiram que os dados primários roubados não foram diretamente os dos clientes finais, mas sim dados operacionais e sensíveis das próprias instituições bancárias, o risco de exposição é, naturalmente, elevado.

As Implicações do Pagamento de Resgate

A decisão de uma empresa de pagar o resgate num ataque de ransomware é sempre controversa e fraught com riscos. Por um lado, pode ser vista como uma forma pragmática de restaurar rapidamente as operações e minimizar danos a curto prazo. Por outro lado, o pagamento valida o modelo de negócio dos criminosos cibernéticos, incentivando futuros ataques e financiando grupos de ransomware. No contexto europeu e, por extensão, em Portugal, a Agência da União Europeia para a Cibersegurança (ENISA) e outras entidades reguladoras desaconselham veementemente o pagamento de resgates, precisamente por estas razões. A reputação da Marquis e a confiança das instituições financeiras nos seus serviços estão, sem dúvida, sob escrutínio, uma vez que a capacidade de proteger dados sensíveis é a pedra angular da relação entre fornecedores de tecnologia e o setor bancário.

Um Alerta Universal para a Cibersegurança Financeira

Este incidente, apesar de focado em entidades norte-americanas, serve como um alerta contundente para a fragilidade da cibersegurança em setores críticos a nível global. As instituições financeiras na Europa e em Portugal não estão imunes a tais ameaças. Pelo contrário, são alvos constantes devido à sensibilidade dos dados que gerem e ao potencial de ganhos financeiros para os atacantes. Regulamentações como o RGPD (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados) na União Europeia impõem requisitos rigorosos para a proteção de dados, e incidentes como este sublinham a importância da conformidade e de estratégias robustas de defesa cibernética, incluindo planos de recuperação de desastres, formação contínua dos colaboradores e a implementação de tecnologias de segurança avançadas. A colaboração entre entidades e a partilha de informações sobre ameaças são também vitais para mitigar estes riscos.

O ataque de ransomware à Marquis e as suas consequências para o setor bancário dos EUA revelam, mais uma vez, a natureza implacável e em constante evolução das ameaças cibernéticas. É um lembrete premente de que nenhuma organização, independentemente da sua dimensão ou setor de atuação, está completamente a salvo. Para as instituições financeiras, em particular, a necessidade de investir continuamente em cibersegurança, desenvolver resiliência operacional e preparar-se para o pior cenário é mais do que uma prioridade – é um imperativo para proteger tanto os seus ativos como a confiança dos seus clientes.