Asics Corre na Frente: Ultrapassa Nike e Adidas em Sapatilhas Premium
A Asics está a redefinir o mercado de sapatilhas de corrida, superando gigantes como Nike e Adidas no segmento premium na Europa. Descubra como conseguiu est.
Durante décadas, os nomes Nike e Adidas foram sinónimos de inovação e domínio no universo do calçado desportivo. No entanto, o mercado, e em particular o segmento das sapatilhas de corrida, é dinâmico e está em constante evolução. De facto, ao que parece, um novo protagonista está a deixar para trás estes gigantes, pelo menos num nicho de mercado bastante cobiçado: as sapatilhas de corrida premium. Falamos da Asics, que tem vindo a cimentar a sua posição, superando os concorrentes diretos e conquistando os corredores mais exigentes.
O fenómeno do running é mais do que uma moda; é um estilo de vida, uma busca por bem-estar e, muitas vezes, por performance. As sapatilhas são, sem surpresa, o objeto de desejo número um neste desporto. A Asics, outrora uma marca respeitada, mas talvez menos proeminente que as suas rivais, soube capitalizar no boom do running impulsionado pela pandemia, e os resultados falam por si.
O Triunfo da Asics no Segmento Premium
A ascensão da Asics é notória, especialmente no segmento das sapatilhas de corrida com preços superiores a 90 euros. Segundo dados recentes, a marca japonesa assumiu a liderança, alcançando uma quota de mercado de 17,4% nos primeiros nove meses do ano em regiões cruciais como o Japão, os Estados Unidos e, claro, a Europa. Este feito coloca-a no topo do ranking para este segmento específico, um território onde Nike e Adidas eram vistas como inabaláveis.
O sucesso financeiro espelha esta performance. O valor das ações da Asics multiplicou-se por oito nos últimos cinco anos, e a sua capitalização de mercado atingiu uns impressionantes 3 biliões de ienes (aproximadamente 18 mil milhões de euros). As projeções para este ano são igualmente otimistas, com os lucros a preverem um crescimento de 17,9%, atingindo os 800 mil milhões de ienes (cerca de 4,8 mil milhões de euros). Aliás, um dado particularmente relevante é a margem de lucro da Asics, projetada em 17,5%, mais do dobro da Nike (8%) e significativamente superior à Adidas (5,6%), evidenciando uma gestão de custos e valorização do produto exemplar.
Uma Viragem Estratégica Determinante
Nem sempre a Asics navegou em águas calmas. A marca enfrentou críticas após resultados aquém do esperado dos seus atletas nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012, e também em Rio 2016 e Tóquio 2020. Estes momentos de menor sucesso serviram, de facto, como catalisadores para uma profunda reestruturação. A empresa investiu na criação de uma nova equipa de desenvolvimento, focada em incorporar o feedback direto dos atletas e redefinir a sua estratégia para os anos seguintes.
Esta viragem estratégica centrou-se na diversificação e na oferta de uma vasta gama de modelos dentro do segmento premium. Enquanto a concorrência oferece uma mão cheia de opções, a Asics aposta em cinco grandes categorias, cada uma desenhada para características específicas como o ressalto, a estabilidade ou a velocidade. Dentro de cada categoria, existem pelo menos três modelos, tornando o seu catálogo um dos mais abrangentes e capazes de satisfazer tanto o corredor ocasional como o atleta de elite.
Foco na Performance e no Corredor Exigente
Um aspeto curioso desta estratégia é a decisão da Asics de reduzir o seu catálogo de modelos mais económicos, ao mesmo tempo que expande a oferta de sapatilhas acima dos 90 euros. Esta tática reflete uma mudança nas preferências dos consumidores. Após o boom inicial do running durante a pandemia, que viu muitos novos praticantes optarem por calçado mais acessível, o mercado evoluiu. Os corredores que iniciaram em 2020 melhoraram o seu nível e procuram agora calçado de alto desempenho, mais tecnológico e focado na performance. As sapatilhas mais baratas já não satisfazem as suas necessidades.
Modelos como as Metaspeed Sky/Edge (dependendo do tipo de pisada), com um custo a rondar os 300 euros e um peso ultraleve de apenas 129 gramas, demonstram a aposta da Asics na vanguarda tecnológica. Ainda assim, a popularidade das Novablast, com um preço de cerca de 150 euros, prova que a marca consegue equilibrar inovação com acessibilidade para um vasto leque de corredores. A concorrência, com modelos como as Nike Pegasus 41 e Vaporfly 4, ainda é forte, mas a Asics, juntamente com outras marcas como Brooks, Saucony ou Hoka, está a redesenhar o panorama do mercado de sapatilhas de corrida, mostrando que a inovação e uma estratégia bem definida podem, de facto, mudar as regras do jogo.
