Santana 400 PHEV: O regresso de uma marca icónica à Europa
Mobilidade

Santana 400 PHEV: O regresso de uma marca icónica à Europa

A lendária marca Santana regressa ao mercado europeu com a pickup 400 PHEV, prometendo robustez e eletrificação. Descubra os detalhes deste relançamento.

4 min de leitura

A Santana, uma marca outrora sinónimo de veículos todo-o-terreno robustos e duráveis, prepara-se para um regresso ambicioso ao mercado europeu. Após o encerramento da sua fábrica em Linares, Espanha, há cerca de catorze anos, deixando milhares de empregos perdidos e uma lacuna na indústria local, a marca está de volta com um novo projeto, capital maioritariamente privado e, de facto, uma parceria estratégica com a China. Este relançamento visa não só trazer de volta o nome Santana, mas também reavivar a vitalidade industrial de Linares.

O plano para 2025 foca-se na montagem de veículos trazidos em kit (SKD) da Ásia, para serem depois comercializados na Europa sob o emblema Santana. Esta estratégia, que ecoa a do regresso da Ebro, é liderada por Edu Blanco, ex-fundador da Ebro e agora CEO da Santana Factory. O Grupo JPG, que manteve a propriedade intelectual da Santana e a distribuição de peças após o encerramento, também é parte integrante deste renascimento.

Santana 400: Robustez e Eletrificação para a Europa

O projeto arranca com duas versões da nova pickup Santana 400: uma a diesel e outra híbrida plug-in (PHEV). Ambas são, na verdade, variantes da Dongfeng Z9, um todo-o-terreno comercializado na China e desenvolvido sobre a plataforma “α·Star” da joint-venture Zhengzhou Nissan (ZNA). Esta abordagem de importação e montagem permite à Santana minimizar o investimento inicial, mas também pode limitar a capacidade de crescimento a médio prazo.

A versão híbrida plug-in é, talvez, a mais promissora. Combina um motor a gasolina de 1,5 litros turboalimentado com um sistema elétrico de 210 kW, resultando numa potência combinada de 429 CV e uns impressionantes 800 Nm de binário. A bateria de 32 kWh promete uma autonomia elétrica de até 120 km (WLTP), uma mais-valia significativa para o uso urbano e profissional. Já a versão diesel, com o seu motor de 2,3 litros e 190 CV, oferece um caráter mais convencional, focado na solidez e capacidade em terrenos difíceis.

Ambos os modelos partilham um design exterior funcional e robusto, com linhas mais limpas e minimalistas do que muitos concorrentes. No interior, o habitáculo é espaçoso e bem acabado, embora predomine o plástico. Destaca-se um equilíbrio entre ecrãs digitais (10" no painel de instrumentos e 14,6" na central na PHEV) e botões físicos para a climatização. Contudo, a ausência de Apple CarPlay e Android Auto é uma falha notória, sendo substituída por uma solução de espelhamento de ecrã via aplicação Carbit.

Posicionamento e Desafios no Mercado Europeu

O mercado europeu de pickups é dominado por players como a Ford, que detém cerca de 44% das vendas. Em Portugal e Espanha, o volume anual de vendas é relativamente modesto, mas a Santana aposta em vender cerca de 2.700 unidades em toda a Europa no seu primeiro ano, com início de produção em fevereiro de 2026. Esta é uma meta conservadora, mas alinhada com o investimento inicial de cerca de cinco milhões de euros.

Os preços de lançamento são agressivos: a Santana 400 D começa nos 29.900 euros e a 400 PHEV nos 44.700 euros. A versão híbrida plug-in posiciona-se de forma competitiva, abaixo da Ford Ranger PHEV. A empresa espera alcançar mais de 90% de cobertura de concessionários em Espanha nos próximos meses e já assinou um acordo com a BAIC para adicionar novos modelos ao catálogo, incluindo um SUV e um compacto todo-o-terreno que evoca o Suzuki Jimny.

Conclusão: Um Regresso com Potencial

É inegável que o Santana 400, em particular a versão PHEV, apresenta um produto competitivo: uma pickup robusta, bem equipada e com um preço razoável. A capacidade de reboque de 3.200 kg e as capacidades todo-o-terreno, com redutoras e tração às quatro rodas selecionável, reiteram a sua herança. A versão híbrida oferece prestações interessantes para quem procura um veículo de trabalho com a capacidade de circular em modo elétrico na cidade, beneficiando da “Etiqueta Zero Emissões” na Europa.

O tempo dirá se esta ressurreição será sustentável a longo prazo, enfrentando a forte concorrência e o ceticismo natural em torno de marcas renascidas. Contudo, o entusiasmo em Linares é palpável, com a promessa de centenas de novos postos de trabalho. Para já, o simples facto de a Santana voltar a ter veículos a circular nas estradas europeias, após catorze anos de ausência, já é, de facto, uma vitória.