Veterano do AR deixa Vision Pro e aposta em telemóveis para o futuro da Realidade Aumentada
Mark Drummond, ex-colaborador no Apple Vision Pro e CEO da Pixi, acredita que os smartphones são a plataforma ideal para o futuro da Realidade Aumentada. O seu projeto, Pixi, foca-se em experiências interativas móveis, tirando partido da IA no dispositivo para criar narrativas AR envolventes. Este pivô visa superar os desafios de custo e adoção dos headsets, tornando a RA mais acessível e socialmente integrada.
Mark Drummond, CEO da Pixi e um veterano da realidade aumentada (RA) que trabalhou no desenvolvimento do Apple Vision Pro, está a redirecionar o seu foco para os telemóveis, argumentando que os headsets, embora tecnologicamente impressionantes, representam um obstáculo desnecessário para os criadores e utilizadores de aplicações de RA.
Do Headset ao Smartphone: A Nova Visão da Realidade Aumentada
Durante o seu trabalho no Vision Pro na Apple, onde geria a Equipa de Inteligência de Personagens e contribuiu para a popular demonstração 'Encounter Dinosaurs', Drummond teve uma revelação. Para desenvolver esta experiência, criada em parceria com o realizador Jon Favreau e pré-instalada no Vision Pro, a equipa utilizou inicialmente iPhones e iPads antes de ter acesso aos próprios headsets. Esta abordagem funcionou notavelmente bem, dado que o VisionOS é essencialmente uma ramificação do iPadOS. A partir desta experiência, Drummond concluiu que os dispositivos móveis não eram apenas substitutos aceitáveis, mas sim plataformas superiores para certas formas de interação em realidade mista, especialmente para experiências que visam 'surpreender e deliciar' com personagens interativos.
Apesar de considerar o Vision Pro uma 'peça de hardware fabulosa', Drummond aponta que os headsets podem ser alienantes, isolando os utilizadores do mundo e das pessoas à sua volta, uma experiência que descreve como 'solitária'. Em contraste, uma aplicação de RA num telemóvel facilita a partilha da experiência com outros, permitindo que 'as pessoas se debrucem sobre o seu ombro'. É por esta razão que, após sair da Apple em 2023, Drummond abraçou os dispositivos móveis para a narrativa de realidade aumentada. Nos últimos dois anos e meio, tem vindo a trabalhar na Pixi, uma nova aplicação de RA para iPhone que se foca na narrativa interativa móvel-primeiro.
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A Pixi, que será lançada nas próximas semanas, é descrita como uma versão RA do cartão de saudação por e-mail. Permite aos utilizadores escolher uma personagem interativa e um cenário, adicionar uma mensagem personalizada e enviá-la para os seus contactos via iMessage ou WhatsApp. Uma vez aberta, a personagem surge sobreposta na vista da câmara do ambiente real do recetor, interagindo de várias formas, como contar piadas, jogar tic-tac-toe ou 'whack-a-mole' diretamente na secretária. A aplicação utiliza inteligência artificial (IA) no dispositivo e modelos de machine learning personalizados para reconhecer expressões faciais, como um sorriso, e objetos, integrando-os dinamicamente na narrativa. Por exemplo, uma personagem pode detetar um sorriso para reagir. Drummond prevê um futuro onde a Pixi possa reconhecer classes de objetos e incorporá-los em histórias complexas, como um retriever dourado que interage com um armário de arquivos. Os headsets, com o seu preço de 3.500 dólares e penetração de mercado limitada (a IDC estima apenas 45.000 unidades enviadas no último trimestre de férias do ano passado), juntamente com os custos de configuração e desativação, tornam-nos menos práticos para a experiência AR diária que Drummond propõe. Ele prevê que futuros óculos de RA, como os rumores da Apple, funcionarão mais como um Apple Watch, exibindo notificações e direções, mas sem a capacidade computacional dos smartphones para experiências de RA complexas e interativas.
Implicações para o Mercado Europeu e a Adoção da RA
Esta mudança de paradigma, que prioriza a acessibilidade e a interação social através de dispositivos já existentes, ressoa particularmente no mercado europeu. A adoção de tecnologias de realidade aumentada no continente, tal como noutras regiões, enfrenta o desafio do custo elevado e da utilidade diária dos headsets. Ao focar-se nos smartphones, a Pixi abre caminho para uma democratização da RA, permitindo que milhões de utilizadores na Europa, que já possuem telemóveis avançados, possam experienciar interações imersivas sem o investimento adicional num equipamento dedicado, tornando a tecnologia mais inclusiva e relevante para o quotidiano. A omnipresença das aplicações de mensagens como iMessage e WhatsApp na Europa também garante uma plataforma de distribuição natural para a proposta da Pixi, facilitando a sua integração no dia a dia dos utilizadores de diversas culturas e idiomas do continente.
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O Impacto da RA Móvel em Portugal
Em Portugal, onde a taxa de penetração de smartphones é elevada e as plataformas de mensagens como o iMessage e o WhatsApp são amplamente utilizadas, a proposta da Pixi revela-se particularmente pertinente. A barreira de entrada para a realidade aumentada através de headsets, cujo preço de 3.500 dólares se traduz num valor ainda mais proibitivo em euros e face ao poder de compra local, é um fator limitativo. Ao tornar a RA mais pessoal, acessível e social no dispositivo que os portugueses já transportam consigo diariamente, Drummond e a Pixi estão a pavimentar o caminho para que mais consumidores em Portugal possam explorar e interagir com experiências de realidade aumentada de forma descomplicada, impulsionando a inovação e a criatividade no ecossistema digital nacional e abrindo novas vias de comunicação e entretenimento.
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