UE reconsidera: Proibição de carros a combustão em 2035 revogada?
A UE pode reverter a proibição de carros a combustão interna em 2035. A fraca procura por elétricos leva à reavaliação desta meta ambiental. Descobre os impa.
A União Europeia está, ao que parece, a dar um passo atrás num dos seus pilares mais ambiciosos para a transição ecológica: a proibição da venda de novos veículos com motor de combustão interna (ICE) a partir de 2035. Esta reviravolta, que muitos na indústria automóvel e setores conservadores consideravam inevitável, surge num momento em que a procura por veículos elétricos (VEs) tem vindo a abrandar consideravelmente por toda a Europa, incluindo, de resto, em Portugal.
A decisão original, estabelecida em 2022, visava acelerar a descarbonização do setor dos transportes e impulsionar a inovação tecnológica. Contudo, a realidade do mercado e as preocupações com a acessibilidade e a infraestrutura parecem ter levado Bruxelas a reconsiderar a sua posição, prometendo, com efeito, um debate mais prolongado sobre o futuro da mobilidade no bloco comunitário.
A Reversão Inesperada e os Seus Motivos
A ideia de que a UE iria proibir a venda de carros a gasolina e diesel em menos de uma década era vista por muitos como uma medida audaz, mas talvez demasiado precipitada. A verdade é que, de acordo com as informações mais recentes, a União Europeia prepara-se para reverter os seus planos, aludindo a uma procura por veículos elétricos que tem ficado aquém das expectativas. A inflação, os custos energéticos e o preço ainda elevado dos VEs, bem como a ansiedade relacionada com a autonomia e a disponibilidade de pontos de carregamento, são fatores cruciais para esta retração do consumidor.
Esta mudança de rumo poderá significar que os veículos com motores de combustão interna, incluindo os híbridos e os que utilizam combustíveis sintéticos, terão uma vida útil mais longa no mercado europeu do que o inicialmente previsto. Para Portugal, um país onde a eletrificação da frota automóvel tem sido um desafio, esta notícia pode ter implicações significativas, quer para os consumidores, quer para a própria indústria.
O Impacto da Diminuição da Procura por VEs
Nos últimos tempos, assistiu-se a um arrefecimento no entusiasmo em torno dos veículos elétricos. Embora as vendas continuem a crescer, o ritmo abrandou face às projeções iniciais. Fabricantes como a Tesla e a Ford já reportaram um abrandamento nas vendas e tiveram de ajustar os seus planos de produção. Esta menor procura tem, de facto, várias causas, desde a incerteza económica global à perceção de que a infraestrutura de carregamento, apesar dos avanços, ainda não está à altura de uma massificação total.
Em Portugal, o mercado de VEs tem crescido, mas o custo inicial elevado de aquisição, mesmo com os incentivos estatais, continua a ser uma barreira significativa para a maioria dos consumidores. A decisão da UE de reconsiderar a proibição de 2035 pode dar mais tempo para que os preços dos VEs se tornem mais competitivos e para que a infraestrutura de carregamento amadureça de forma a satisfazer as necessidades de uma frota elétrica em expansão.
Conclusões e o Futuro da Mobilidade Europeia
Esta potencial reversão da UE representa, acima de tudo, um reconhecimento das complexidades inerentes à transição energética no setor automóvel. Não se trata apenas de uma questão ambiental, mas também económica e social. Ao flexibilizar a sua posição, a União Europeia pode estar a tentar encontrar um equilíbrio entre as ambições climáticas e a realidade do mercado e as preocupações dos cidadãos.
Para os consumidores portugueses, isto significa que terão mais opções de escolha no futuro próximo, e que a pressão para uma transição forçada para os veículos elétricos poderá aliviar. O debate sobre o futuro da mobilidade na Europa está longe de terminar, mas uma coisa é certa: a UE demonstrou que está disposta a adaptar-se perante as evidências do mercado, algo que, de facto, terá um impacto duradouro na forma como nos deslocamos.
