Steve Jobs: O Líder que Pagava para Ser Desafiado
Home

Steve Jobs: O Líder que Pagava para Ser Desafiado

Descubra a filosofia de liderança de Steve Jobs: ele preferia que os seus diretores o desafiassem a que o obedecessem, promovendo a inovação na Apple e na NeXT.

4 min de leitura

Steve Jobs, figura lendária da tecnologia, é frequentemente recordado pela sua visão intransigente. Contudo, uma lição de liderança que partilhou há mais de três décadas revela uma faceta surpreendente da sua filosofia: Jobs pagava aos seus diretores não para o obedecerem cegamente, mas sim para o desafiarem. Esta abordagem, que subverte a ideia tradicional de um líder que impõe a sua vontade, mantém-se pertinente hoje, tal como era em 1992, quando a apresentou numa palestra memorável no MIT.

A Visão de um Líder que Valorizava o Desafio

Naquela conferência, Jobs explicou que, durante a sua gestão na NeXT, após ter sido afastado da Apple, contratava executivos de alto calibre não para lhes dizer o que fazer. Pelo contrário, o objetivo era que estes diretores aportassem o seu próprio critério e perspetiva, mesmo que isso significasse contradizer a sua opinião. Jobs defendia que o valor de uma equipa de gestão não reside na capacidade de seguir ordens, mas sim na aptidão para sugerir alternativas e fomentar um debate construtivo. "Nunca acreditei que, se pensássemos diferente, um tivesse de convencer o outro a mudar de ideias", afirmou. Para ele, pagar a alguém para fazer o que não acredita ser correto levaria ao conflito. A chave era reunir todos e chegar a uma decisão consensual, onde cada um cedia um pouco, mas sem abdicar do que considerava certo, garantindo que os debates levassem a melhores resultados coletivos.

Os "Oito de NeXT": O Exemplo da Colaboração

Na NeXT, Jobs institucionalizou esta filosofia, formando uma equipa de oito diretores cuja função primordial era, precisamente, desafiá-lo quando a sua perspetiva não era a mais adequada. Este grupo não se focava em questões diárias, onde tinham autonomia total. Em vez disso, concentravam-se nos assuntos verdadeiramente críticos para a empresa, garantindo que as decisões estratégicas fossem tomadas de forma alinhada e partilhada. "Pagamos muito dinheiro às pessoas e esperamos que nos digam o que devemos fazer", refletia Jobs. Os "Oito de NeXT" discutiam, em média, cerca de 25 decisões importantes por ano, focando-se na unificação de pontos de vista e não na imposição de uma única opinião. Esta abordagem evitava conflitos futuros, assegurando que todos os envolvidos partilhassem a visão e estivessem verdadeiramente comprometidos.

O Legado da Apple: Aprender e Crescer

Embora a NeXT tenha sido crucial para esta filosofia, foi na Apple que Jobs a aprofundou. De regresso à empresa, Jobs adotou uma visão de liderança a longo prazo, resistindo à sua famosa microgestão. Em vez de corrigir erros de imediato, permitia que as suas equipas cometessem os seus próprios erros e aprendessem. "Quando vejo algo que não está a ser bem feito, o meu primeiro instinto não é corrigi-lo. Estamos a construir uma equipa que fará grandes coisas na próxima década, não só este ano", explicava. Esta maturidade na liderança, que reconhece o valor da autonomia e do debate honesto, ecoa a frase de John F. Kennedy: "Um homem inteligente é aquele que sabe ser tão inteligente ao ponto de contratar pessoas mais inteligentes do que ele." Steve Jobs, de facto, acrescentava a essa máxima a parte crucial de "...e ouve-as."

Conclusão

A lição de Steve Jobs sobre a importância de ter diretores que ousassem contradizê-lo é um testemunho da sua genialidade como visionário e estratega de gestão. Numa era onde a agilidade e a inovação são cruciais, a sua abordagem sublinha que o verdadeiro poder de uma equipa reside na diversidade de pensamento e na coragem de desafiar o status quo. Uma filosofia, de facto, intemporal para qualquer organização que aspire a marcar a diferença e a alcançar o sucesso duradouro.