Starlink: 7.500 Novos Satélites Aprovados, Preocupação Cresce na Astronomia
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Starlink: 7.500 Novos Satélites Aprovados, Preocupação Cresce na Astronomia

A SpaceX obteve autorização da FCC para lançar mais 7.500 satélites Starlink de segunda geração, elevando o total autorizado para 15.000 unidades. Esta expansão massiva, embora prometa conectividade global avançada, intensifica a preocupação da comunidade astronómica europeia e mundial. A decisão do regulador americano impôs, no entanto, prazos apertados e não concedeu a totalidade do pedido da empresa.

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Raramente uma infraestrutura tecnológica cresceu tão rapidamente e de forma tão discreta. Enquanto para a maioria das pessoas o céu permanece inalterado, milhares de satélites Starlink já circulam na órbita terrestre baixa, construindo uma rede ambiciosa para levar internet a quase qualquer canto do planeta. Num movimento que reforça o seu domínio, a SpaceX obteve autorização para um despliegue massivo que, contudo, levanta sérias questões para a comunidade científica.

Expansão Acelerada e Prazos Rigorosos

A Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos EUA deu luz verde à SpaceX para lançar mais 7.500 satélites Starlink de segunda geração, elevando o total de unidades Gen2 autorizadas para uns impressionantes 15.000. Esta decisão não só valida a expansão, como também aprova melhorias técnicas significativas, permitindo um uso mais flexível de frequências e cobertura, e visando serviços móveis avançados com velocidades até 1 gigabit por segundo. O objetivo é otimizar a cobertura e o desempenho, especialmente em regiões sem torres terrestres, algo particularmente relevante para áreas rurais em Portugal e na Europa.

Contudo, esta autorização não foi um cheque em branco. A SpaceX tinha solicitado permissão para cerca de 30.000 satélites de segunda geração, mas o regulador americano optou por aprovar apenas metade, justificando que parte destes satélites ainda não foi testada em órbita e que persistem dúvidas sobre operações a altitudes superiores a 600 quilómetros. A FCC impôs prazos rigorosos: metade da constelação autorizada deve estar operacional até dezembro de 2028, e o restante até dezembro de 2031. Além disso, a primeira geração de satélites deve estar completamente desplegada até novembro de 2027.

O Impacto para a Astronomia e o Espaço Europeu

A ambição da Starlink de preencher a órbita com satélites para expandir a conectividade móvel direta – crucial para áreas remotas na Europa, onde a Starlink já opera – não está isenta de críticas. Astrónomos em todo o mundo, incluindo a comunidade europeia, têm alertado que as constelações como a Starlink deixam rastros luminosos em imagens ópticas e geram "ruído" nos radiotelescópios, dificultando a observação do céu noturno. A União Astronómica Internacional criou inclusive um centro para proteger o "céu escuro e silencioso".

Para além da poluição luminosa, subsiste o receio de saturação orbital e o aumento do risco de colisões, um debate reavivado por incidentes recentes. Enquanto a Starlink continua a ser uma ferramenta vital para a conectividade em Portugal e outros países europeus, a rápida proliferação de satélites na órbita terrestre baixa exige um equilíbrio delicado entre o progresso tecnológico e a preservação do nosso céu e do ambiente espacial.