Software Popular: Afinal, Nem Tudo o Que Parece É Open Source
Muitas aplicações populares são frequentemente confundidas com software open source. Descubra a verdade por trás de programas como VS Code e Docker Desktop,.
No universo tecnológico, a distinção entre software proprietário e software de código aberto (ou open source) é fulcral, mas nem sempre clara. De facto, muitos utilizadores, até mesmo os mais experientes da comunidade Linux, utilizam diariamente programas populares na crença de que são open source quando, na realidade, não o são. Esta confusão pode ter implicações significativas para a privacidade, segurança e liberdade do utilizador.
A PRISMATEK explora este fenómeno, destacando alguns dos programas mais notórios que, ao que parece, enganam pela sua natureza e disponibilidade, e sublinha a importância de compreender o que se está realmente a usar.
A Ilusão do Código Aberto: Gratuito Não É Livre
A principal razão para esta confusão reside na forma como estes programas são distribuídos. Muitos deles são gratuitos, facilmente acessíveis e amplamente adotados, o que leva à perceção de que seguem a filosofia do código aberto. No entanto, a gratuitidade não é sinónimo de liberdade de código. Um exemplo paradigmático é o Visual Studio Code (VS Code), da Microsoft. Embora o código fonte do editor, conhecido como vscode, seja de facto um projeto open source, a versão oficial distribuída pela Microsoft não é. Esta inclui componentes proprietários e telemetria, que monitorizam a utilização e enviam dados para a empresa, algo que não aconteceria num verdadeiro software de código aberto.
Outro caso notório é o Docker Desktop. Esta ferramenta, essencial para muitos desenvolvedores que trabalham com contentores, é proprietária. Apesar de se basear em tecnologias open source como o Docker Engine, a aplicação Docker Desktop em si, com a sua interface gráfica e integrações, não o é. A sua licença gratuita tem, aliás, algumas restrições para empresas, o que obrigou muitas a procurar alternativas perante as recentes mudanças nas políticas de uso.
Distinguir o Software Proprietário do Open Source
A chave para discernir entre software proprietário e open source reside, antes de mais, na sua licença. Software verdadeiramente open source garante, através da sua licença (como GPL, MIT, Apache), quatro liberdades essenciais: a liberdade de executar o programa, a liberdade de estudar como o programa funciona e adaptá-lo às suas necessidades, a liberdade de redistribuir cópias e a liberdade de distribuir cópias de versões modificadas do programa. Programas como o VS Code e o Docker Desktop, na sua forma distribuída, não oferecem todas estas liberdades.
Felizmente, para cada um destes programas “falsamente” open source, existem alternativas genuinamente de código aberto. Para o VS Code, uma excelente opção é o VSCodium, uma compilação do vscode sem os componentes proprietários e a telemetria da Microsoft. Para o Docker Desktop, existem alternativas robustas como o Podman ou o Lima, que permitem a gestão de contentores de forma aberta e transparente.
Implicações para Utilizadores e Desenvolvedores no Mercado Europeu
A escolha entre software proprietário e open source tem implicações significativas, particularmente no contexto europeu, onde a privacidade e o controlo de dados são fortemente regulados, como é o caso do RGPD. A utilização de software proprietário, que pode incluir componentes de telemetria ou exigir a aceitação de termos de serviço que limitam a auditoria do código, pode levantar questões sobre a soberania dos dados e a segurança. Em contraste, o software open source oferece maior transparência, permitindo que qualquer pessoa examine o código para detetar vulnerabilidades ou comportamentos indesejados, promovendo assim uma maior confiança e controlo por parte do utilizador e da comunidade.
Compreender a natureza do software que usamos é mais do que uma questão técnica; é uma questão de escolha informada. No fundo, é essencial ler as licenças e procurar por soluções que se alinhem com os princípios da transparência e da liberdade. Optar por alternativas genuinamente open source não só apoia a comunidade de desenvolvimento, como também garante maior controlo sobre as nossas ferramentas digitais.
