Rampa russa crucial para a ISS inoperacional: NASA reage
A única rampa russa apta a enviar missões tripuladas e de carga para a ISS está danificada. A NASA antecipa voos Dragon para estabilizar a estação. A Estação.
A Estação Espacial Internacional (ISS) enfrenta um novo desafio operacional após a principal plataforma de lançamento russa para missões tripuladas e de carga ter ficado inoperacional. O incidente, ocorrido no Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, evidenciou uma vulnerabilidade estrutural já alertada em 2022 e que agora obriga a NASA a tomar medidas para garantir a estabilidade da estação.
De facto, a plataforma 31/6, fulcral para o lançamento das cápsulas Soyuz e dos cargueiros Progress com destino à ISS, sofreu danos significativos após o mais recente lançamento da Soyuz MS-28 (Expedição 74). Embora a nave tenha acoplado com sucesso, a rampa não resistiu ao embate, deixando a Rússia sem o seu principal ponto de acesso à órbita baixa. Esta situação, aliás, tem um impacto imediato no equilíbrio operacional da Estação Espacial Internacional.
Danos Graves em Baikonur: A Plataforma 31/6 Fora de Serviço
As primeiras imagens do complexo de Baikonur após o lançamento revelaram a gravidade do incidente. A plataforma de serviço móvel, uma estrutura de 20 toneladas utilizada para o acesso prévio ao descolagem do foguetão, foi encontrada caída na rampa. Segundo fontes citadas pela Ars Technica, tudo indica que não estaria devidamente segura e terá sido ejetada pela força do impulso do foguetão Soyuz-2. A Roscosmos, agência espacial russa, admitiu danos em “vários elementos”, mas a dimensão do impacto sugere uma reparação mais complexa do que o comunicado oficial poderá indicar.
Importa salientar que, apesar de existirem várias plataformas para o lançamento de foguetões Soyuz, apenas um número restrito reúne as condições técnicas e orbitais necessárias para enviar tripulação ou carga para a ISS. Esta especificidade explica a razão pela qual os danos na plataforma 31/6 geram um impacto tão imediato na planificação internacional. Outras plataformas russas, como as de Plesetsk ou Vostochny, não estão configuradas para a inclinação orbital da ISS ou para voos tripulados, respetivamente.
Os Cargueiros Progress e a Resposta da NASA
A paralisação da capacidade russa para lançar missões à ISS afeta um elemento decisivo do ecossistema orbital: os cargueiros Progress. Estas naves não só transportam mantimentos essenciais para o segmento russo da estação, como também são vitais para elevar periodicamente a órbita da ISS e para o controlo de atitude, utilizando os seus propulsores. Embora outras naves, como a Dragon da SpaceX ou a Cygnus da Northrop Grumman, possam contribuir para algumas destas tarefas, não cobrem a totalidade das funções dos cargueiros Progress.
Perante este cenário, a NASA não tardou a reagir. A agência espacial norte-americana adiantou duas missões de carga Dragon para assegurar margem operacional nos próximos meses. A missão CRS-34, inicialmente prevista para junho de 2026, foi antecipada para maio, e a CRS-35 passou de novembro para agosto. Estes ajustes são um “resultado direto” do incidente em Baikonur, com o objetivo claro de garantir que a ISS disponha de suprimentos suficientes, independentemente do calendário incerto das próximas missões Progress.
Reparações e o Futuro da Cooperação Espacial
Enquanto a Roscosmos assegura dispor das peças necessárias e promete reparações “num futuro próximo”, as estimativas oficiais contrastam com as avaliações de especialistas. O jornal russo Kommersant, por exemplo, cita Aleksandr Khokhlov, membro da Federação Russa de Cosmonáutica, que aponta para reparações que poderão prolongar-se entre seis meses a mais de um ano, dependendo da extensão real dos danos. A estes fatores somam-se as temperaturas extremas do inverno cazaque e as pressões orçamentais resultantes da guerra na Ucrânia.
Este episódio em Baikonur serve como um lembrete vívido da complexa arquitetura da ISS, que depende tanto de decisões técnicas como de prioridades geopolíticas. A NASA já reforçou o seu plano de contingência. Agora, a grande incógnita reside em como a Rússia irá responder a este contratempo que expõe a falta de redundância da sua infraestrutura. O ritmo das reparações e a vontade de manter o seu nível de participação serão cruciais para a estabilidade do programa espacial nos próximos meses.
