Paz na Ucrânia: O Rascunho de Genebra e a Crucial Defesa Aérea
Um novo rascunho de paz para a Ucrânia avança em Genebra, mas o destino final pende da linha da frente de 900 km e da crucial defesa aérea. Tecnologia decisiva.
Os Estados Unidos e a Ucrânia concretizaram um novo rascunho de paz de 19 pontos, representando um avanço diplomático crucial face ao polémico documento inicial de 28. Em Genebra, a equipa ucraniana liderada por Andriy Yermak conseguiu suavizar os aspetos mais problemáticos do texto. Contudo, a questão central e mais explosiva – a integridade territorial – permanece em aberto. A decisão final dependerá da dinâmica dos 900 quilómetros da linha da frente, num complexo equilíbrio entre a diplomacia e a realidade do campo de batalha.
O Rascunho de Paz e os Pontos Críticos
O novo documento, descrito como “sólido”, integra garantias de segurança, compromissos económicos e proteção de infraestruturas, afastando-se da perceção de um ultimato. Pontos sensíveis como a limitação das Forças Armadas ucranianas ou uma amnistia total para crimes de guerra foram eliminados ou reescritos. A questão territorial do leste foi deliberadamente “colocada entre parênteses”, deixando a sua resolução para os Presidentes Trump e Zelensky. Tal reconhece a gravidade política do assunto e a impossibilidade legal de o resolver sem referendo na Ucrânia. Embora Washington considere o processo “otimista”, o coração do acordo pende num equilíbrio frágil.
A Imperativa Arquitetura de Defesa Aérea
Nenhum acordo de paz sobreviverá se a Ucrânia não possuir garantias aéreas robustas. Moscovo tem demonstrado que a forma mais rápida de quebrar um cessar-fogo é violar o espaço aéreo com mísseis e drones. Para uma paz sustentável, analistas apontam três pilares: uma rede integrada de defesa aérea (radares, Patriot, NASAMS, IRIS-T); uma força aérea ucraniana modernizada com caças avançados (F-16, Rafale, Gripen) equipados com radares AESA, mísseis de longo alcance e guerra eletrónica; e uma presença visível de aliados a operar no território ucraniano. As regras de engajamento devem ser explícitas, com interceção imediata e retaliação automática. Sem esta arquitetura, uma paz no papel seria um parêntese frágil, exposto a uma Rússia que historicamente explora cada vazio.
A Linha da Frente: Os 900 km que ditam o Futuro
Enquanto diplomatas negociavam em Genebra, a realidade no terreno mudava a ritmo célere. A Rússia intensificava a sua ofensiva, registando avanços e aumentando a pressão sobre cidades-chave. Os cerca de 900 quilómetros da linha da frente tornaram-se o árbitro silencioso das negociações. Quanto mais a Ucrânia recua, mais força a Rússia sente para exigir concessões. Inversamente, quanto mais Kyiv resiste, mais margem tem para recusar cedências. O Presidente Zelensky tem sido claro: a Ucrânia “defenderá a sua casa”, e aceitar amputações territoriais minaria a sua legitimidade e a possibilidade de uma paz duradoura. O tempo na frente corre contra Kyiv, e cada quilómetro perdido altera o rascunho em Genebra mais do que qualquer parágrafo.
Entre o Papel e o Campo de Batalha
O que emerge é um quadro que, embora mais claro na forma, carece de substância. O texto de 19 pontos representa um avanço técnico, mas o seu sucesso pende de decisões presidenciais de enorme custo político. As garantias aéreas são a condição indispensável para que qualquer compromisso faça sentido, e é a frente de batalha, com a sua dinâmica brutal, que determinará a posição negocial da Ucrânia. O rascunho tornou-se mais apresentável, mas a questão crucial – quem controla o quê no dia da assinatura – não está de todo escrita. Essa resposta decidir-se-á nos 900 quilómetros onde a Ucrânia luta para manter o terreno, na esperança de que esta paz não seja o prelúdio de outra guerra.
