Omdia: Mercado Europeu de Smartphones Cresceu 2%, Queda de 12% Prevista em 2026
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Omdia: Mercado Europeu de Smartphones Cresceu 2%, Queda de 12% Prevista em 2026

A Omdia revela um crescimento de 2% no mercado europeu de smartphones no primeiro trimestre de 2026, com a Samsung a liderar e a Apple a crescer. Contudo, a consultora antecipa uma queda de 12% para o ano completo, impulsionada pela subida recorde dos preços médios de venda. Esta análise detalha as dinâmicas de mercado, o desempenho das marcas e as implicações para o consumidor europeu, incluindo Portugal.

5 min de leitura

Crescimento Modesto, Perspetivas Inquietantes

O mercado europeu de smartphones, com a exclusão da Rússia, demonstrou um modesto crescimento de 2% no primeiro trimestre de 2026, com 33,0 milhões de unidades expedidas, comparativamente ao mesmo período do ano anterior. No entanto, esta recuperação trimestral é ofuscada por projeções menos animadoras: a Omdia, empresa de análise de mercado, antecipa uma contração de 12% para o volume total de remessas ao longo do ano de 2026, alertando para ventos desfavoráveis no horizonte, com a maior parte desta queda esperada para a segunda metade do ano.

As Dinâmicas das Marcas e o Preço Médio Recorde

A análise da Omdia revela um panorama competitivo dinâmico entre os principais fabricantes. A Samsung consolidou a sua posição de liderança, readquirindo o primeiro lugar com 12,6 milhões de smartphones expedidos, um aumento de 3% face ao ano anterior. Este desempenho é notável, considerando que o lançamento dos seus emblemáticos modelos Galaxy S26, S26+ e S26 Ultra ocorreu mais tarde do que o habitual, tal como os modelos Galaxy A57 e A37. Contudo, o Galaxy A16 4G destacou-se pela sua popularidade, contribuindo significativamente para os resultados da marca sul-coreana.

A Apple, embora tenha caído para a segunda posição devido ao ciclo de lançamento dos seus produtos que tradicionalmente atinge o pico no quarto trimestre, registou um crescimento impressionante de 8,8%, enviando 8,8 milhões de unidades. Esta performance foi impulsionada pela forte procura por novos modelos como o iPhone 17, iPhone 17 Pro e iPhone 17 Pro Max, bem como pela contínua relevância dos iPhone 15 e 16e no segmento de gama média. Por outro lado, a Xiaomi enfrentou uma queda de 15% nas remessas, fixando-se em 4,5 milhões de unidades no primeiro trimestre. Apesar disso, os seus topos de gama, como o Xiaomi 17 e 17 Ultra, e os modelos premium Xiaomi 15T e 15T Pro, testemunharam uma procura recorde, indicando uma polarização do mercado em torno de segmentos de valor mais elevado.

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Outras marcas também mostraram movimentos notáveis. A Motorola continua a melhorar a sua posição no mercado europeu, registando um aumento de 17% nas vendas, alcançando 1,9 milhões de unidades, com um crescimento particular em Espanha e Portugal. A Oppo cresceu 9%, enviando 1,3 milhões de unidades, impulsionada pelo bom desempenho em França, Roménia e Polónia. No entanto, a Oppo enfrenta uma concorrência acérrima da Honor, que cresceu uns impressionantes 60% em comparação com o primeiro trimestre do ano passado, quase igualando os números da Oppo. Este cenário reflete uma mudança notável no panorama dos preços: o preço médio de venda (ASP) dos smartphones na Europa disparou para um valor recorde de 580 euros no primeiro trimestre de 2026. Esta subida acentuada deve-se, em grande parte, à menor disponibilidade de dispositivos com preços inferiores a 200 euros, que representaram um mínimo histórico de apenas 25% das remessas totais, conforme sublinhado por Runar Bjorhovde, Analista Principal da Omdia.

O Desafio dos Preços na Europa e o Comportamento do Consumidor

Apesar de um primeiro trimestre que superou as expectativas em alguns aspetos, as projeções da Omdia para o resto do ano permanecem cautelosas. O pessimismo reside na previsão de que a maior parte da queda de 12% no volume de remessas para o ano completo de 2026 ocorrerá na segunda metade do ano, sugerindo um arrefecimento progressivo do mercado. Este cenário é particularmente relevante no contexto europeu, onde o aumento do preço médio de venda dos smartphones e a diminuição da oferta de modelos mais acessíveis (abaixo de 200 euros) estão a remodelar o comportamento do consumidor. Num continente onde o poder de compra pode variar significativamente entre regiões, a ascensão de preços representa um desafio crescente para os consumidores que procuram opções mais económicas, potencialmente levando a ciclos de substituição mais longos ou à procura por alternativas no mercado de usados ou recondicionados. Esta dinâmica de mercado, com menos dispositivos de entrada disponíveis e uma propensão para aquisições de modelos de gama superior, reflete uma estratégia das marcas e retalhistas que procuram maximizar as margens de lucro, num ambiente económico de pressão inflacionária.

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