Horses: O polémico videojogo que desafia a censura digital
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Horses: O polémico videojogo que desafia a censura digital

O jogo de terror narrativo 'Horses' foi banido de várias plataformas digitais, tornando-se um bestseller no GOG.com e um símbolo na luta contra a censura.

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O videojogo Horses tornou-se, de facto, a face mais visível do debate em torno da censura e da definição de “arte” na indústria dos videojogos. Depois de ter sido banido de plataformas de renome como o Steam e a Epic Games Store, este título de terror narrativo inesperadamente tornou-se um bestseller na GOG.com, unindo jogadores de várias comunidades em torno da sua causa. Contudo, e como o artigo original da The Verge realça, a qualidade do jogo em si é alvo de discussão, levantando a questão se merece tanto a controvérsia gerada pelas proibições, como os elogios recebidos.

O Epicentro da Controvérsia Digital

Desde que foi removido das grandes montras digitais, Horses catapultou-se para o centro das atenções, transformando-se num estandarte para aqueles que defendem a liberdade de expressão e contestam as políticas de curadoria das plataformas. A sua ascensão nas vendas da GOG.com, uma loja conhecida pela sua política de DRM-free e, por vezes, mais flexível em relação ao conteúdo, demonstra o poder da comunidade de jogadores quando se une por uma causa. Esta situação sublinha uma tensão crescente entre as empresas que gerem as lojas digitais e os criadores de conteúdo que procuram explorar novos limites artísticos.

Uma Colaboração Artística e um Conceito Diferenciador

Horses é fruto de uma colaboração entre o estúdio independente Santa Ragione e o cineasta italiano Andrea Lucco Bolera. Bolera não só assinou o argumento do jogo, como também atuou e dirigiu as cenas full-motion video (FMV) que se entrelaçam com a experiência narrativa. Esta abordagem, que integra sequências de vídeo com atores reais, é uma reminiscência de títulos clássicos e confere ao jogo uma identidade visual e narrativa distinta no género de terror.

No entanto, a inovação conceptual não se traduz, necessariamente, numa execução impecável. A análise do The Verge sugere que, enquanto artefacto cultural e catalisador de um debate importante, Horses cumpre o seu papel, mas enquanto videojogo puro, a sua experiência pode ser algo irregular. É um lembrete de que a relevância de uma obra pode ir além da sua qualidade intrínseca, especialmente quando toca em questões fraturantes como a censura.

As Implicações para a Indústria e a Censura

O caso de Horses levanta questões fundamentais sobre os critérios de censura nas plataformas digitais e o papel destas na determinação do que é considerado aceitável ou arte. Será que as lojas digitais devem atuar como gatekeepers culturais, ou deverão ser meros facilitadores para todo o tipo de expressão criativa, desde que legal? A polémica em torno de Horses força a indústria, e os próprios consumidores, a reavaliar estas fronteiras, especialmente num contexto onde a União Europeia tem procurado regular cada vez mais o conteúdo online e a responsabilidade das plataformas. É uma discussão complexa, sem respostas fáceis, mas que é vital para o futuro da liberdade criativa nos meios digitais.

Em suma, Horses pode não ser o videojogo mais brilhante tecnicamente ou narrativamente, mas a sua jornada tortuosa de proibições e sucesso subsequente em nichos tornou-o um símbolo potente. É um lembrete inegável de que a luta pela liberdade artística e contra a censura digital está mais viva do que nunca, e que os jogadores têm um papel ativo a desempenhar nesse debate.