Google e Meta desafiam domínio da NVIDIA nos chips de IA
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Google e Meta desafiam domínio da NVIDIA nos chips de IA

Rumores indicam que a Meta poderá usar chips TPU da Google, abalando o reinado da NVIDIA no mercado da IA. Descubra a nova frente de batalha tecnológica.

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A NVIDIA, gigante incontestável no mercado dos chips de inteligência artificial, sentiu recentemente um abalo nas suas ações, com uma queda de 7% antes de alguma recuperação. Em contraste, a Google registou um crescimento de cerca de 4%. A origem destes movimentos financeiros reside num rumor, que de facto já está a dar que falar, sobre a Meta estar a considerar utilizar os chips TPU (Tensor Processing Unit) da Google nos seus centros de dados já em 2027.

Este cenário representa uma mudança potencialmente sísmica num setor onde a NVIDIA, liderada por Jensen Huang, tem desfrutado de um domínio quase imperial. Embora outros fabricantes de chips como a AMD tenham tentado seguir o seu rasto, o poder das GPUs aceleradoras da NVIDIA parecia inabalável. Contudo, a ameaça surge agora de onde menos se esperava: a Google.

Meta Poderá Acelerar a Adoção das TPUs da Google

Durante anos, as GPUs da NVIDIA têm sido o padrão-ouro para cargas de trabalho de IA, tanto para treino como para inferência, devido à sua arquitetura e ao ecossistema CUDA. A possibilidade de uma empresa da dimensão da Meta integrar os chips TPU da Google nos seus vastos centros de dados é um desenvolvimento crucial. Aliás, se o rumor se confirmar, isto representa um voto de confiança significativo na capacidade das TPUs para competir diretamente com as soluções da NVIDIA.

Um porta-voz da Google explicou, em declarações à CNBC, que a Google Cloud está a “experimentar uma procura acelerada tanto pelas nossas TPUs personalizadas como pelas GPUs da NVIDIA; estamos empenhados em suportar ambas, como temos feito durante anos”. Embora a declaração da Google procure tranquilizar o mercado, a estratégia de longo prazo da empresa de Sundar Pichai para as TPUs sugere uma ambição muito maior.

A Ascensão Silenciosa das TPUs da Google

O caminho para esta potencial revolução tem sido longo e silencioso. A Google tem vindo a desenvolver as suas Tensor Processing Units desde 2015, tendo lançado a primeira versão em 2018 para otimizar os seus próprios serviços de computação na nuvem. Desde então, estas TPUs têm evoluído consideravelmente, ganhando prestações e tornando-se alternativas promissoras para tarefas de IA, especialmente para inferência, como demonstra o projeto Ironwood.

De facto, a Google já tem um acordo estabelecido com a Anthropic, fornecendo as suas TPUs para os centros de dados que trabalham com o modelo de linguagem Claude. A concretização de um acordo similar com a Meta, como apontado pelos rumores do The Information, seria um ponto de viragem, dada a escala massiva das operações da Meta comparativamente à da Anthropic. Esta seria uma forma de as grandes tecnológicas reduzirem a sua dependência de um único fornecedor.

A Reação da NVIDIA e o Inquebrável Legado do CUDA

A NVIDIA, por sua vez, não se deixou abalar e fez questão de mostrar o seu otimismo. Numa publicação na rede social X, a empresa manifestou o seu entusiasmo pelo “sucesso da Google”, afirmando que continuarão a fornecer GPUs à tecnológica. No entanto, fez questão de sublinhar que “a NVIDIA está uma geração à frente da indústria”, uma declaração que reflete, por um lado, a felicitação, e por outro, uma clara declaração de intenções.

O CEO da NVIDIA, Jensen Huang, já havia alertado para o aumento da rivalidade com as TPUs da Google durante a sua conferência de resultados mais recente. Contudo, Huang também fez questão de reiterar que a Google continua a ser um cliente valioso e que o Gemini – o seu modelo de IA, recentemente renovado – pode, e de facto corre, sobre a tecnologia da NVIDIA.

Apesar dos avanços dos chips próprios de outras empresas, incluindo AMD, Intel, Microsoft e Amazon, o ecossistema CUDA da NVIDIA continua a ser um trunfo difícil de igualar. A plataforma padrão de desenvolvimento de soluções de IA na indústria, com o seu vasto efeito de rede, é, de momento, inatingível. Mas a Google, com os seus recursos e ambição, está decidida a tentar.

O Futuro da IA: Mais Concorrência, Mais Inovação

Esta nova frente de batalha no mercado dos chips de IA é, em última análise, uma boa notícia para a inovação. A competição saudável leva a avanços tecnológicos mais rápidos e a soluções mais eficientes e acessíveis. Embora o domínio da NVIDIA ainda seja evidente, a ascensão das TPUs da Google, impulsionada por gigantes como a Meta, sugere que o cenário da inteligência artificial está prestes a tornar-se mais dinâmico e diversificado. Resta agora aguardar para ver como este xadrez tecnológico se irá desenrolar nos próximos anos.