Gasóleo perde vantagem: Preço aproxima-se do da gasolina na UE
Mobilidade

Gasóleo perde vantagem: Preço aproxima-se do da gasolina na UE

A vantagem económica do gasóleo está a desaparecer. Na Europa, a diferença de preço com a gasolina é cada vez menor, impactando milhões de condutores.

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Para muitos condutores em Portugal e na Europa, a escolha de um veículo a gasóleo sempre foi sinónimo de poupança, devido ao seu preço historicamente mais baixo face à gasolina. Contudo, essa vantagem está a desvanecer-se rapidamente, com dados recentes a apontar para uma aproximação quase total dos preços, uma tendência que pode virar o paradigma da mobilidade nos próximos anos.

A Quebra da Vantagem Tradicional do Gasóleo

Nos últimos meses, o preço do gasóleo tem vindo a subir de forma consistente em vários países europeus. De facto, o Boletim Petrolífero da UE, relativo à última semana de novembro, revelou que o preço médio do gasóleo se situou em 1,456 euros por litro, enquanto a gasolina de 95 octanas registou 1,489 euros. Esta diferença, de apenas 0,033 euros por litro, representa o fosso mais estreito desde dezembro de 2023 e espelha um aumento de 7% no custo do gasóleo nos últimos cinco meses, face a um crescimento de 2,1% na gasolina no mesmo período. Esta escalada de preços está a desiludir milhões de condutores que contavam com a tradicional economia dos seus veículos a diesel.

Contexto Europeu e Fatores Chave

A situação que se observa em alguns mercados não é um caso isolado, antes pelo contrário. Na verdade, já existem 11 países na União Europeia, incluindo a Áustria, a Bélgica e a Suécia, onde o gasóleo é atualmente mais caro do que a gasolina. Apesar de Portugal se manter, em regra, com o gasóleo mais acessível que a gasolina, a tendência europeia é clara.

Vários fatores contribuem para esta dinâmica. Inês Cardenal, diretora de Assuntos Legais da Indústria do Combustível de Espanha (AICE), apontou a Rússia como um grande produtor de gasóleo refinado, um combustível com elevada procura na Europa durante o inverno. O desfasamento entre a oferta e a procura, exacerbado por sanções a produtores russos de crude, tem mantido o mercado sob tensão nos últimos três anos, contribuindo para a subida contínua dos preços.

Implicações Fiscais e o Futuro Incerto

Historicamente, o gasóleo beneficiou de uma carga fiscal inferior à da gasolina em vários países da UE, o que ajudou a manter o seu preço mais baixo. No entanto, a pressão europeia para uma harmonização fiscal, ou, pelo menos, para uma revisão das políticas que promovem os combustíveis fósseis, é crescente. Por exemplo, Espanha prometeu à Europa uma reforma fiscal para equiparar a carga impositiva do gasóleo à da gasolina em troca de fundos europeus, um cenário que pode ser replicado noutros Estados-Membros.

Esta perspetiva, juntamente com a instabilidade geopolítica e as políticas ambientais da UE, sugere que o preço do gasóleo pode continuar a subir e a perder a sua vantagem. Em tempos recentes, o gasóleo já ultrapassou o preço da gasolina, nomeadamente em 2008 devido a uma “dieselização” massiva dos veículos, e em 2022, na sequência da guerra na Ucrânia, quando se manteve acima durante cerca de meio ano.

A incerteza paira sobre o mercado dos combustíveis. Embora o preço do crude se mantenha relativamente estável, as políticas fiscais e o cenário geopolítico indicam uma mudança de paradigma. Aquilo que antes era uma aposta segura para a poupança, um veículo a gasóleo, poderá não ser o mesmo no futuro, e é aconselhável que os consumidores estejam atentos a esta evolução antes de tomar decisões de compra.