Durov, CEO da Telegram, revela truque insólito para a produtividade
Pavel Durov, líder da Telegram, adota uma rotina invulgar para ser produtivo: dormir 12 horas e evitar o telemóvel. Um contraste no mundo tech. Enquanto o ep.
Enquanto o epicentro tecnológico do Vale do Silício glorifica, por vezes, a cultura do trabalho incessante e da hiperconectividade, um dos seus expoentes mais proeminentes segue um caminho radicalmente diferente. Pavel Durov, o carismático cofundador e CEO da Telegram, uma das plataformas de comunicação mais usadas globalmente, adota uma rotina de produtividade que choca frontalmente com essa tendência. Longe de estar colado ao ecrã do seu smartphone, Durov aposta em longas horas de descanso e num uso mínimo do telemóvel para potenciar a sua criatividade e foco, uma filosofia que, de facto, desafia as convenções modernas.
O Sono: A Ferramenta Criativa de Durov
Para Durov, o sono não é apenas um luxo, mas uma verdadeira ferramenta estratégica. Numa entrevista concedida ao popular podcast de Lex Friedman, o empresário revelou que reserva entre 11 a 12 horas por noite para estar na cama. E não é só por dormir, aliás. Mesmo quando não consegue conciliar o sono de imediato, Durov não se levanta, optando por permanecer deitado, a divagar e a pensar. "Algumas pessoas detestam isto, dizem-me 'Toma um comprimido para dormir', mas eu nunca tomo", partilhou. "Adoro esses momentos porque tenho tantas ideias brilhantes, ou pelo menos parecem-me assim na altura, enquanto estou deitado na cama."
Esta prática invulgar tem, na verdade, suporte científico. A literatura indica que a inatividade permite ao cérebro divagar, ativando mecanismos de abstração que assimilam conhecimentos e relacionam conceitos. Este processo é crucial para a criatividade, fomentando novas conexões e auxiliando na resolução de problemas complexos – é o mesmo fenómeno que explica por que as melhores ideias surgem, por vezes, durante um duche ou enquanto lavamos a loiça.
Menos Telemóvel, Mais Concentração
Outro pilar da filosofia de Durov é a sua aversão a ceder ao imediato do mundo digital. Evita, a todo o custo, pegar no telemóvel logo ao acordar, adiando o máximo possível o contacto com o turbilhão de notificações, redes sociais e mensagens. Esta é uma forma deliberada de proteger a sua concentração e autonomia. O próprio Lex Friedman confirmou esta postura, mencionando que, nas duas semanas que passou com Durov, raramente o viu usar o telemóvel para partilhar conteúdo ou responder a mensagens.
Durov considera o telemóvel uma fonte constante de distração que impede o desenvolvimento de ideias próprias e a capacidade de decidir a que prestar atenção. "Se abres o teu telemóvel logo de manhã, acabas por ser alguém a quem dizem no que pensar o resto do dia", sentenciou. A sua filosofia é simples: "Quero definir o que é importante na minha vida. Não quero que outras pessoas, empresas ou organizações de todo o tipo me digam o que é importante hoje e em que devo pensar." Uma mensagem poderosa para os tempos que correm, marcados pela sobrecarga informativa e a constante procura por atenção.
O caso de Pavel Durov é, de facto, notável. Dirige uma plataforma que incentiva a conexão constante, mas na sua vida pessoal, opta pela desconexão. Esta aparente contradição sublinha uma verdade muitas vezes ignorada: a produtividade e a inovação genuína podem florescer não da exaustão digital, mas sim de um equilíbrio consciente entre o trabalho e o descanso, o foco e a reflexão. A sua rotina oferece uma perspetiva valiosa sobre como, mesmo no topo da indústria tecnológica, a chave para o sucesso pode residir em hábitos que priorizam o bem-estar e a clareza mental, mostrando que, por vezes, a melhor forma de avançar é, de facto, parar e pensar.
