ChatGPT e a Palavra 'Delve': Como a IA Está a Moldar a Ciência
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ChatGPT e a Palavra 'Delve': Como a IA Está a Moldar a Ciência

Um novo estudo revela uma tendência preocupante na literatura científica: o uso exponencial de uma palavra específica, 'delve', coincide com a ascensão do ChatGPT. Esta proliferação linguística sugere uma influência direta da inteligência artificial na forma como os artigos académicos são redigidos, com origem na aprendizagem por reforço humano e na proveniência dos dados de treino, que moldam o estilo dos modelos de linguagem.

3 min de leitura

A crescente influência da inteligência artificial na produção de conteúdo académico já não é novidade, mas a dimensão do seu impacto no estilo de escrita começa a ser preocupante. Um grupo de investigadores analisou milhões de resumos de artigos científicos na plataforma PubMed e encontrou uma tendência surpreendente: uma palavra em particular está a ser exponencialmente mais utilizada, e o motivo aponta diretamente para a IA e o ChatGPT.

A Palavra "Delve" e o Estilo da IA

A palavra em questão é "delve", que em português significa "aprofundar". O seu uso multiplicou-se 28 vezes entre 2022 e 2024, período que coincide precisamente com a explosão de popularidade do ChatGPT e de outros grandes modelos de linguagem (LLMs). Outras palavras como "underscore" (sublinhar) ou "showcasing" (expondo) também registaram aumentos significativos. Estas não são palavras de conteúdo, mas sim termos de estilo, caraterísticos da linguagem mais "florida" e formal que os LLMs tendem a empregar. Embora a sua presença não seja prova irrefutável de que um artigo foi escrito por IA, o aumento é incomparável a outros picos de frequência observados em palavras-chave importantes, como "pandemia" em 2020.

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A Influência Oculta da Aprendizagem Humana

A chave para entender esta tendência reside na forma como os chatbots como o ChatGPT são refinados. Parte do processo envolve a Aprendizagem por Reforço a partir da Retroalimentação Humana (RLHF), onde humanos ajustam as respostas da IA. Curiosamente, muitos dos trabalhadores envolvidos nesta tarefa crucial de rotulagem de dados encontram-se em países africanos, como a Nigéria. Nestes contextos, o inglês formal de negócios, que inclui palavras como "delve", "leverage", "explore" ou "tapestry", é bastante comum. Segundo o 311institute, mesmo que o volume de feedback humano seja pequeno, o seu impacto é imenso, pois define o tom e o estilo que o modelo adota. Este cenário levanta questões importantes sobre a ética da IA e as condições de trabalho precárias de muitos destes "rotuladores" em países menos desenvolvidos.

O Que Isto Significa Para Nós

Para os utilizadores portugueses e europeus, esta descoberta serve como um alerta. A IA não só está a auxiliar na escrita como também está a moldar, de forma subtil, o estilo e o vocabulário dos textos académicos e, potencialmente, de outras formas de comunicação. Torna-se ainda mais crucial desenvolver um sentido crítico na leitura e avaliação de conteúdos. A influência da IA, embora poderosa, é muitas vezes moldada por decisões e contextos humanos que permanecem invisíveis ao utilizador final.

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