Chamadas móveis: o que explica a diferença entre operadores?
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Chamadas móveis: o que explica a diferença entre operadores?

A qualidade das suas chamadas telefónicas pode variar drasticamente entre as diferentes redes móveis. Descubra os fatores tecnológicos e de infraestrutura qu.

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Já se perguntou porque é que a qualidade das suas chamadas telefónicas pode ser excelente num local com um operador e péssima noutro, ou até com um operador diferente no mesmo sítio? A verdade é que a experiência de uma conversa nítida e sem interrupções não depende apenas do seu smartphone, mas sim de uma complexa teia de fatores tecnológicos e de infraestrutura que varia drasticamente entre as redes móveis.

Em Portugal e na Europa, onde a concorrência entre operadores é forte, os consumidores esperam comunicações fiáveis. No entanto, a perceção de qualidade pode ser bastante subjetiva, e os motivos são, de facto, bem mais técnicos do que se imagina, envolvendo desde a tecnologia utilizada até ao investimento em infraestruturas e à forma como o espectro é gerido.

As Tecnologias por Trás da Voz: VoLTE e 5G

A principal razão para a disparidade na qualidade das chamadas reside nas tecnologias subjacentes que cada rede utiliza. Enquanto as redes mais antigas, como o 2G e o 3G, dependiam de circuitos dedicados para as chamadas de voz, com largura de banda limitada e compressão que sacrificava a clareza, a chegada do 4G LTE trouxe uma revolução com o Voice over LTE (VoLTE). Em Portugal, a implementação do VoLTE pelos principais operadores permitiu que as chamadas de voz passassem a ser tratadas como dados, resultando numa qualidade de áudio significativamente superior, conhecida como HD Voice, e tempos de estabelecimento de chamada mais rápidos.

Com a proliferação das redes 5G, a expectativa é que a qualidade das chamadas atinja novos patamares. Embora a voz na rede 5G utilize ainda, na maioria dos casos, o core de VoLTE (o chamado Voice over New Radio - VoNR ainda está a ser implementado em larga escala), o 5G puro promete menor latência e maior capacidade, que se traduzirão em conversas ainda mais fluidas e nítidas, especialmente em ambientes congestionados.

Infraestrutura e Cobertura: O Investimento Crucial

No entanto, a tecnologia por si só não é suficiente. A qualidade da chamada é igualmente ditada pelo investimento em infraestrutura de cada operador. A densidade de antenas (ou torres) numa determinada área é fundamental. Quanto mais antenas existirem e mais próximas estiverem dos utilizadores, melhor será o sinal e, consequentemente, a qualidade da chamada. Áreas rurais ou com muita topografia podem naturalmente apresentar maiores desafios na cobertura.

A capacidade de backhaul – a ligação de alta velocidade entre as antenas e a rede central do operador – é outro fator crítico. Se uma antena tem uma excelente cobertura, mas a sua ligação à rede principal não consegue lidar com o volume de tráfego, a qualidade da chamada (e dos dados) será afetada. Operadores que investem em fibra ótica até às suas torres garantem uma maior estabilidade e capacidade, algo essencial para o mercado europeu com a crescente procura por conectividade.

Adicionalmente, a alocação de espectro, ou seja, as frequências de rádio que cada operador possui, desempenha um papel vital. Mais espectro ou espectro em bandas mais eficientes pode significar maior capacidade e melhor penetração de sinal, o que é particularmente relevante dentro de edifícios, um desafio comum nas cidades portuguesas e europeias.

Em suma, a qualidade de uma chamada móvel é o resultado de uma equação complexa que envolve desde a evolução tecnológica como o VoLTE e o 5G, até ao investimento contínuo em infraestruturas e à gestão inteligente do espectro por parte dos operadores. Para os consumidores portugueses, entender estes fatores pode ajudar a escolher o operador que melhor se adapta às suas necessidades e localização. Aconselhamos a consultar os mapas de cobertura e a experimentar diferentes redes, se possível, para garantir uma experiência de comunicação verdadeiramente cristalina. No futuro, com a expansão contínua do 5G e a otimização das redes, espera-se que a qualidade das chamadas seja cada vez menos uma preocupação para a maioria dos utilizadores.