Apple pede suspensão no Supremo Tribunal em caso Epic sobre comissões
A Apple solicitou ao Supremo Tribunal dos EUA a suspensão de um mandato crucial no seu litígio com a Epic Games. Em causa estão as comissões cobradas por compras fora da App Store e o "espírito" de uma injunção de 2021. O caso é observado por reguladores europeus e pode ter implicações significativas para programadores e consumidores globalmente.
A Apple apresentou um pedido ao Supremo Tribunal dos EUA para suspender o mandato do Nono Circuito, numa jogada crucial no seu prolongado litígio com a Epic Games. Esta ação visa impedir que o caso regresse ao Tribunal Distrital para determinar as comissões que a Apple poderá cobrar por compras realizadas fora da App Store, um ponto central da disputa que questiona a autonomia dos programadores e a estrutura de negócio da gigante tecnológica.
O Percurso Legal e a Controvérsia das Comissões Fora da App Store
A disputa legal entre a Apple e a Epic Games teve início com uma injunção de 2021 do Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte da Califórnia. Esta ordem impedia a Apple de bloquear programadores de incluírem botões ou links para mecanismos de compra alternativos nas suas aplicações, e de comunicarem com utilizadores sobre essas opções através de contactos obtidos in-app. Contudo, a injunção não especificava se a Apple poderia cobrar uma comissão sobre essas transações externas.
Após a injunção, a Apple atualizou as suas regras da App Store, permitindo os links, mas aplicando uma comissão de até 27%. Esta ação levou a que, no ano passado, o Tribunal Distrital considerasse a Apple em desacato judicial ("contempt of court") à injunção de 2021. O tribunal argumentou que, ao cobrar a taxa, a Apple violava o "espírito" da injunção, apesar de a ordem não proibir explicitamente tais comissões. Esta decisão de desacato, proferida em 2025, foi então contestada.
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O caso seguiu para o Tribunal de Apelações do Nono Circuito, que reverteu a regra de comissão zero do Tribunal Distrital e remeteu o processo de volta para determinar a comissão que a Apple pode cobrar. Agora, a Apple recorre ao Supremo Tribunal para suspender o mandato do Nono Circuito, argumentando que a injunção se aplica indevidamente a todos os programadores globais na App Store dos EUA, e não apenas à Epic Games. A empresa alega risco de prejuízo irreparável se o caso prosseguir, incluindo litigar a sua comissão sob o rótulo de "desacato" e divulgar informações comerciais sensíveis.
A Apple sustenta ainda que a decisão do Nono Circuito entra em conflito com outras jurisdições ao permitir o desacato com base no "espírito" de uma injunção, em vez do seu texto explícito, e que há uma probabilidade razoável de o Supremo Tribunal aceitar o caso e reverter partes da decisão, justificando a suspensão dos procedimentos. A empresa realça que não procura bloquear a injunção em si, continuando a não cobrar comissões em compras fora da App Store enquanto o caso estiver em revisão, o que significa que a Epic não enfrenta prejuízo imediato.
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A argumentação da Apple sobre as implicações globais do caso — a empresa refere por duas vezes que "reguladores em todo o mundo estão a observar este caso para determinar a taxa de comissão que a Apple deve ser autorizada a cobrar" noutros países, e que uma taxa definida por um tribunal distrital "pode ser praticamente difícil — se não impossível — de alterar noutras jurisdições" — motivou a reação do CEO da Epic Games, Tim Sweeney. Este comentou que as "táticas de adiamento de cinco anos da Apple no sistema judicial dos EUA (...) visam claramente adiar o alívio mundial para programadores e consumidores."
O Impacto Transfronteiriço e a Vigilância Europeia sobre as Comissões Digitais
Esta batalha legal, embora desenrolada nos tribunais norte-americanos, ressoa fortemente no panorama regulatório europeu, particularmente com a implementação da Lei dos Mercados Digitais (DMA). A DMA, que visa garantir mercados digitais justos e abertos, impõe obrigações estritas aos "guardiões" (gatekeepers) como a Apple, exigindo-lhes que permitam lojas de aplicações e sistemas de pagamento alternativos, e que não imponham condições injustas aos programadores. A Apple, na sua petição, reconhece explicitamente que "reguladores em todo o mundo estão a observar este caso para determinar a taxa de comissão que a Apple deve ser autorizada a cobrar" noutros países, sublinhando que qualquer taxa definida por um tribunal distrital dos EUA "pode ser praticamente difícil – se não impossível – de alterar noutras jurisdições que estão a monitorizar atentamente estes procedimentos". Este reconhecimento evidencia a interligação global das políticas de comissão e a potencial influência das decisões judiciais dos EUA nas futuras regulamentações da União Europeia, que procura ativamente moldar um ecossistema digital mais equitativo.
Implicações para o Mercado Tecnológico Português
Para os programadores e consumidores portugueses, o desfecho deste caso, e a atenção que os reguladores europeus lhe dedicam, são de suma importância. Embora não haja detalhes comerciais específicos para Portugal no artigo original, as decisões sobre as comissões fora da App Store podem ditar as margens de lucro dos programadores locais e, consequentemente, a viabilidade de certos modelos de negócio. No contexto da DMA, que já está a forçar a Apple a adaptar as suas práticas na UE, uma clarificação ou alteração nas comissões globais da empresa poderia ter um impacto direto na forma como as aplicações são distribuídas e vendidas em Portugal. Uma potencial redução ou maior transparência nas comissões pode incentivar a inovação e oferecer mais opções aos utilizadores portugueses, ao mesmo tempo que assegura um ambiente mais competitivo para as empresas de tecnologia nacionais que desenvolvem para o ecossistema iOS. A capacidade de programadores em Portugal de se desviarem das comissões padrão da App Store, sem penalizações indevidas, é um fator crucial para a saúde do seu setor de desenvolvimento de software.
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